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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Black Letter =7= Cap final



Quando deu sete e meia da manhã Sam me ajudou a ir lá pra cima no Marcele e foi uma das visões mais tristes que já tive.
Estava tudo destruído.
Nós tentamos sair dali com máximo de cuidado, pois todos os alicerces daquele lugar estavam comprometidos. Sam me guiou com cuidado me ajudado por culpa da minha perna que tirava uma boa parte da minha agilidade até o lado de fora e de lá nós fomos caminhando em direção da cidade e não sei dizer o que era pior, a cidade cheia de feridos ou a cidade em pedaços...
Encontramos algumas autoridades e pedimos auxilio, eles disseram que nós enviariam de volta para as nossas casa, mas que por hora eu seria enviada a um medico pois minha perna estava gravemente fraturada pois na queda eu rompi ligamentos nervosos e ossos.
Sam insistiu e foi comigo.
—Meg não já falei que vou estar com você? Então não insista para que eu te deixe! – Ele me repreendia e ao mesmo tempo em que eu gostei de ouvir isso eu fiquei com vergonha.
— Não tenho como discutir não é Sam? – Perguntei já me dando por vencida.
— Não! – Ele foi muito firme em sua resposta.
— Tudo bem. – aceitem sem esforço nenhum sua decisão!
Me colocaram em uma ambulância e fomos para a cidade mais próxima em busca de um hospital. Lá me disseram que eu teria que colocar pinos na perna. Passei por uma cirurgia e quando voltei para o quarto e vi que Sam ainda estava lá, mas com os ferimentos tratados e com roupas limpas.
— Falei com sua mãe Meg... Ela me disse que Lucy e Iam estão bem e que ela vai te levar de volta pra casa e que você vai para o seu antigo colégio.
— Que bom... E você Sam? – Perguntei meio sem jeito... Acho que é o fim para nossa história, que nem começou.
— Meu pai vai me levar para casa e eu vou entrar em um colégio novo - ele me disse sorrindo.
— Onde você mora Sam? – Do nada senti essa vontade de saber...
— Adivinha? - Ele me disse sorrindo de orelha a orelha.
Comecei a rir...
Ele morava exatamente na mesma cidade que eu, isso sim é que é sorte... Eu acho.
— Meg eu serei seu protetor agora... E se você aceitar namorado também nas horas vagas...
— Pode ser... Aceito sim, mas você tem que falar com a minha família e com o Lu – lembrei do meu melhor amigo. - Ele vai querer matar você Sam... Você quer namorar a "mãe" dele.
- Vou mostrar para meu futuro filho que serei bom para a mãe dele!
Nós rimos e guardas entraram com nossas coisas e com uma ordem de remoção... Iríamos para casa.
 Depois de algumas horas de viagem e um interrogatório sobre como eu achei a "Carta Negra" eles nós deixaram sair da viatura. Tanto meus pais quanto os dele estavam a nossa espera.
Sam empurrava minha cadeira de rodas e no momento que encontramos nossas familias foi um choro só, o medo de perder quem a gente ama foi todo descarregado ali naquele instante. E no mesmo instante percebi que depois de tudo que passamos Sam iria se afastar de mim pela primeira vez e eu fiquei triste.
— Meg o que foi? – Sam me perguntou
— Nada não – Menti
— Amanhã eu vou te visitar. Alias vou te visitar todos os dias.
Sorri
— Obrigado Sam.
— Não foi nada.
Sam se aproximou e me beijou na frente do nossos pais.
Senti meu rosto esquentando muito. Achei que eu explodiria que nem uma das bombas....
Quando interrompemos o beijo ele estava sorrindo.
— Te vejo amanha pequena.
Sorri de volta.
Ele foi para perto da família dele e minha mãe veio me empurrar com um olhar maroto pro meu lado.
— O que foi isso Megan? – Perguntou ela.
— Acho que tenho muita coisa pra te contar mãe...

Fim...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Black Letter =6=


Fiquei assustada e olhei pra Sam e ele me olhou tentando me acalmar...
— Calma Meg isso foi o barulhos dos primeiros fogos... Concentre-se. – Ele sustentou meu olhar por um tempo.
Assenti com a cabeça e me voltei para as bombas a minha frente comecei a desarmar a primeira igual Sam tinha feito e consegui retirar o tubo azul sem ser explodida. Cada bomba levava uns 10 minutos para ser desmontada e desativada e nós não sabíamos a quantidade de bombas que teria ali. Vimos que alguns zepelins levantaram voo e um aperto surgiu no meu coração, olhei pra Sam de novo que retribuiu o olhar e voltou a desmontar mais uma bomba, e eu voltei a desmontar outra. Ficamos assim por um tempo e percebemos que não iríamos conseguir desarmar todas, mas umas 20 delas nós desarmamos. Todos os mini zepelins já estavam no ar e nós fomos em direção ao palco da festa. Lá já estava a Madre pegando o microfone e anunciando que fariam uma evacuação da área, e para todos procurarem lugares seguros. Olhei pro céu e vi um dos zepelins inflar.
— Sam... Aquilo vai explodir... – Apontei para o céu onde o zepelin estava ele olhou pra cima e viu o modo perigoso que a coisa inflava.
— Meg temos que sair daqui... AGORA! – Ele estava assustado.
— Mas Sam e a Lucy e o Iam? – Disse preocupada.
— Agora num dá pra pensar neles... - Sam puxou minha mão e fez acompanha-lo correndo na direção da mata que tinha ali perto.
Ao perceber nossa movimentação outras pessoas começaram a correr para lá também, quando estávamos quase saindo dali à primeira bomba explodiu!
Mas não foi como a outra explosão, a dos fogos...
Essa fez a terra tremer, o barulho era ensurdecedor o calor das chamas chega por todos os lados, fogo consumia as coisas que tocava e um cogumelo se formou onde a bomba tinha explodido.Sam continuou correndo e me puxando ele não me deixava parar de correr. Eu sentia meu pulmão doer com a falta de ar, sentia gosto de sangue na garganta.
Mais uma explosão. Pior que a primeira.
Essa foi tão forte que senti a terra ondulando de baixo dos meus pés e perdi o equilíbrio, mas Sam não me deixou cair.
— Meg não para de correr... – Os olhos de Sam
Continuamos sem parar e chegamos ao lago que tinha ali... Atravessando ele tinha o St Marcele, mas por aquele caminho só podia atravessa-lo a nado.
— Meg, vamos ter que nadar! – Ele me olhava preocupado.
— Sam eu não sei nadar. – Meus olhos começaram a encher de lagrimas. Ele me olhou mordendo os lábios.
— Meg, vou precisar que você confie em mim... Vou precisar que você segure no meu pescoço... E não solte,mas mantenha o corpo mole! – Ele disse me instruindo.
— Okay, mas antes vou tentar fazer uma ligação. Porque na travessia vou perder ele...
— Tudo bem vai rápido.
Liguei pra minha mãe e ela disse que estava acompanhando pela televisão e estava preocupada e as autoridades mandaram procurar lugares com profundidade pra se esconder. Eu disse que a amava e desliguei o telefone.
— Vamos? – Ele me perguntou com pressa.
— Vamos, chegando lá precisamos ir para o porão! – Falei pra ele e meu tom soava desesperado.
Olhamos para trás e vimos às colunas de fogo subindo e ouvimos gritos desesperados das pessoas. Entramos na água e eu segurei o pescoço de Sam, ele me puxava mais eu sinto que ele não vai aguentar muito...
Uma bomba caiu perto do lago.
Ele me puxou para baixo da água olhamos para cima vendo a tudo clarear e ficar de uma cor amarelo alaranjado e a água ficou morna. Sam me puxou e fomos submersos até quando não tínhamos mais ar. Votamos e vimos que estávamos perto da margem Sam me puxava desesperadamente até que conseguimos alcançar a terra Sam estava cansado de mais para prosseguir mas eu o levantei e o puxei voltando a nossa corria, conseguimos chegar aos muros do St Marcele. Tive a certeza que meus pulmões iriam explodir que nem aquelas bombas, eu já estava desistindo de correr, mas eu sabia que não podia parar até chegar a um lugar seguro.Sam e eu nos arrastamos pelo muro até chegar ao portão, pegamos um pouco de fôlego e corremos até a porta e entramos com tudo. A primeira coisa que fiz foi achar o telefone no escritório da Madre e ligar para Lucy. Graças a Deus ela me atendeu...
— Lucy onde você está?
“No porão do McCoy com Iam ele está muito machucado, ele me salvou e acabou se machucando... Mas onde você está?”
— No Marcele... Vou para o porão... Estou com o Sam...
“ Okay se cuida!
Desligamos e eu levei o telefone comigo. Dei graças por ele ser sem fio.
Subi correndo no meu quarto. Peguei minhas malas que não estavam desfeitas e joguei escada a baixo.
— Sam leva isso para o porão! Já te encontro! – Eu tentava fazer as coisas mais rápido que eu podia.
— Okay... Mas onde fica o porão daqui? – Ele perguntou meio perdido.
Expliquei pra ele e sai correndo para a cozinha com uma mochila nas costas peguei tudo que tinha ali pra comer e enfiei na bolsa e corri para o porão. Barulhos de explosões estavam cada vez mais perto, fazendo o chão tremer e moveis e pedaços da construção cair. Acabei caindo na escada que dava para o porão machucando minha perna, mas levantei e continuei a andar até achar Sam.
— Onde você foi Meg? – Ele me perguntou preocupado.
— Cozinha. – Respondi
— Por que você está mancando? – Ele indagou.
— Cai da escada. – Respondi tentando esconder a dor que eu sentia.
— Vem senta aqui.
Ele me ajudou a sentar em cima de uns panos que ele tinha aberto e sentou ao meu lado passando os braços em volta de mim.Ficamos quietos ouvindo o barulho das explosões e sentindo o chão vibrar... Vez ou outra alguma coisa caia ou desabava. Ficamos parados esperando as explosões ficarem menos frequentes, mas parecia que elas nunca iam parar estavam ficando cada vez mais próximas. Meu coração batia tão forte que dava pra ouvir do outro lado da sala.
— Calma Meg nós vamos ficar vivos! – Sam disse com a voz tremula.
— Sei disso não Sam... - Meus olhos estavam lacrimejando devido a dor.
Ele virou meu rosto na direção dele e me fitou por uns instantes
— Tudo bem já que você não tem certeza que vamos ficar vivos...
Ele puxou meu rosto e me deu um beijo urgente enquanto me abraçava forte, afagando meu cabelo de forma reconfortante. E quando rompeu o beijo ele sorriu para mim.
— Agora eu posso morrer. – Ele disse me aconchegando em seu peito.
— Sam não fala assim... – Minha voz saiu fraca e cortada.
Sentimos uma explosão acima de nós que fez todas as paredes vibrarem o chão ondular e coisas começaram a desmoronar. Sam me puxou contra ele me abraçando forte e me protegendo de alguns destroços que caiam. Eu levei minhas mãos às orelhas tentando abafar o som que a explosão fazia.
Ficamos nisso a noite inteira.
O desespero estava tomando conta de nós... Não sabíamos se as paredes iam aguentar, Sam estava preocupado com a minha perna que estava inchando, ele tentava me consolar e me acalmar de toda a forma possível. Mas o medo não me deixava descansar.Foi a pior noite da minha vida apesar de Sam estar fazendo de tudo para eu me desligar das coisas e dormir um pouco, eu não consigo.
Eu só quero sair daqui!
Mas as explosões pararam por hora...
Ao menos dava pra sossegar um pouco.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Black Letter =5=


Nós procuramos por eles durante algum tempo e nada. Começamos a ficar preocupados o que será que aconteceu com os dois? Mandei uma mensagem para Luci perguntando onde ela estava.
Mas ela não me respondia.
— Sam ela não me responde... Que horas são? – Eu já estava ficando desesperada.
— Oito e meia. Não temos muito tempo! – Ele me fez apressar o passo
— Eu sei
Continuamos a correr por um bom e avistamos o palco no centro da praça.
Luci e Iam já estavam lá.
— Luci... – Gritei me aproximando —... Por que não me respondeu?
— Respondeu o que mulher? – A cara de duvida dela me mostrava que ela não sabia do que eu estava falando.
— Te mandei uma mensagem. – Falei pra ela.
Luci olhou no celular.
—Não chegou nada... Até porque está sem sinal. – Ela franziu o cenho.
— Temos um problema. – Entrei logo no assunto.
— Como assim Megan? – Luci me perguntou.
— Lucia não fala! Só me escuta e você Iam presta atenção também... - Contei da Cigana, da carta e expliquei que não tínhamos muito tempo... Mas ela fazia uma cara de quem não estava acreditando muito... — Lucia sabe quando a gente colocou fogo no armário da Elizabeth na escola?
— Pera um pouco você colocou fogo em um armário de alguém? – Sam me cortou.
—Sam não temos tempo! – Rebati.
— Lembro! – Luci me respondeu rindo um pouco com da lembrança.
— Lembra que eu disse que não tinha um bom pressentimento? E que achava que alguém levaria a culpa no nosso lugar e realmente aconteceu? To sentindo a mesma coisa.
— Mas isso é meio absurdo Meg... – Ela disse.
— Você confia em mim? – Resolvi apelar — Quantas vezes eu tirei a gente de confusões?
—  Okay... Mais uma confusão para o nosso histórico. – Ela riu.
— Sam você vai me ajudar? - Perguntei
—Vou ficar ao seu lado. – Ele me disse num tom firme.
Todos nós olhamos pro Iam.
— Tudo bem to dentro... Vamos morrer mesmo. – Iam riu.
—Seu humor é ótimo cara – Eu dei uma risada melancólica — Alguém me diz que horas são?
—Sou muito engraçado – Ele riu um pouco — E são quinze para as nove. – Iam me falou
Vi uma papelaria aberta corri até lá e tirei uma xerox da carta e do anexo e voltei correndo.
—Prestem atenção! Iam e Luci vão atrás da Madre e do Diretor do McCoy e pesam ajuda... Deem a carta original e avisem as autoridades locais precisamos de apoio para tirar o maior numero de pessoas daqui. Eu e o Sam vamos procurar indícios das bombas e tentar desarma-las. Se nós realmente acharmos uma mandamos fotos pra vocês pelo celular. Iam seu celular é android*? – Ele balançou a cabeça concordando — Ótimo da pra enviar pra você mesmo sem sinal! Entenderam?
Todos concordaram.
— Mais uma coisa... – Todos me olharam — Fiquem vivos!
Viramos de costa e cada um seguiu para um lado.
Eu e Sam corríamos para perto de onde estavam os fogos de artifício procurando algo semelhante às bombas.
Os desenhos que tinha naquele anexo pareciam de mini-zepelins com a bandeira americana desenhada... E coisas do tipo era o que mais tinha por ali. No anexo também diziam que alguns deles seriam falsos para ninguém identificar... Mas as verdadeiras teria uma pequena peça diferente que causaria explosões...
— Megan... Olha aqui... – Sam me chamou.
Cheguei perto dele e vi que ali tinha uma bomba verdadeira. Peguei meu celular e imediatamente mandei uma foto pra Iam que já tinha me mando uma mensagem via Hey Tell* dizendo que eles tinham achado os diretores e estavam a caminho das autoridades.
—Sam nós precisamos desarmar isso... – Disse em desespero.
— Eu sei mais andei lendo os papeis e é meio complicado, mas acho que eu consigo. – Ele me olhou tentando passar confiança.
Ele pegou a bomba com cuidado e lendo o papel começou um processo complicado, conforme ele ia desmontando ele ia me explicando o que fazer pra quando eu for desmontar uma já saber o que fazer. Ele foi cortando alguns fios e retirando algumas peças até que tirou um fino tubo azul de dentro de uma base estranha que soltava uma fumaça.
— Meg... Você tem que tirar esse tubo! Se conseguir fazer isso você desarma. – Ele olhava dentro dos meus olhos. – Balancei a cabeça concordando. — Que horas são? – Ele me perguntou.
— São nove e quinze. – Respondi
— Tudo bem. – Ele respirou fundo.
Ele levantou e ficamos nos encarando. Quando eu ia procurar outra bomba ele me puxar a minha mão me fazendo ficar perto dele. Ele levantou meu queixo na direção do rosto dele.
— Meg foi uma prazer te conhecer hoje! Se sobrevivermos eu quero que você me de a oportunidade de ficar junto com você. – Os olhos castanhos dele me fitavam firmemente e eu senti meu rosto corando. — Promete que vai deixar?
Desviei o olhar por um segundo pensando.
— Tudo bem Sam eu prometo! – Disse dando um sorriso tímido e ao mesmo tempo triste.Ele abaixou o rosto na minha direção e me deu um selinho me soltando em seguida.
— Vamos... – Ele disse sério — Temos trabalho a fazer mocinha! E agora eu tenho um motivo pra querer ficar vivo então sem enrrolação, por favor.
Eu dei risada e fui procurar por mais bombas. Não podíamos mais perder tempo já era nove e vinte. Musica tocava alta, pessoas riam ao nosso redor e alguns fogos já estavam pipocando no céu.
Eu estava ficando assustada.
Achei mais três bombas no momento em que uma explosão rompeu o céu estralado.





N/a: *Android é um sistema operacional 
*Hey Tell é um aplicativo de enviar mensagens de áudio para outro celular android via wi-fi, quase igual ao Nextel só que sem o barulho idiota!

domingo, 8 de abril de 2012

Black Letter =4=


— Bom Iam essas são Megan e Lucy, as conheci por um acaso no mercado. – Sam apresentou.
— Oi meninas. – Iam sorria para nós.
— Oi Iam - Respondi feliz enquanto Lucy se recuperava da vergonha.
— Oi – Ela respondeu tímida... – E eu comecei a encara-la
— Meg... – Luci me chamou.
— Eu? - Respondi encarando-a
— Para de me olhar... – Ela me repreendeu.
— Desculpa Lucy... – Continuei encarando ela de propósito.
— Você é estranha Megan – Sam disse rindo...
— Porque estranha Sam? – Perguntei
— Sei lá... – Ele me respondeu rindo
— Depois a estranha sou eu... Mas então meninos o que o Instituto McCoy preparou para nós vermos? – Perguntei mudando de assunto.
— Enquanto as mocinhas cuidavam da decoração e da comida nós cuidávamos da parte pesada... A montagem do palco, barracas, os fogos que vão ter mais tarde as instalações para o show... - Iam disse sorrindo cansado.
— Nossa vocês fizeram bastante coisa – Lucy que já tinha se recuperado comentou.
— E pelo visto vocês duas não fizeram nada! – Sam falou rindo.
— Não mesmo! Já basta o mercado não acha? Tivemos que descarregar tudo sozinhas e depois a Madre nos liberou! – Comentei olhando para o céu que começou a ficar alaranjado.
— É uma pena Meg queria comer os brigadeiros que você faz... – Lucy falou em um tom frustrado.
— Para com isso você come deles a uma vida inteira... Já que a gente se conhece desde sempre! – falei rindo.
— Mas nós não vamos comer... – Iam falou com uma cara pensativa.
— Vamos ter que invadir o Marcele ou sequestrar vocês duas... – Sam falou despreocupado.
— Tá bom viu! - Ri deles.
As luzes da praça se acenderam e as festividades começaram.
— To sabendo que vai ter algodão doce! - Comentei com olhar sonhador só de lembrar.
 — E vai ter maçã do amor também. - Lucy já sorria de orelha a orelha.
— São as barracas das extremidades da praça. – Sam nos informou — Fui eu que montei a de algodão doce... Eu te levo lá Megan. O Iam leva a Lucy na de maçã do amor e agente se encontra na frente do palco!
— Por mim tudo bem! - Iam respondeu calmo.
Lucy me olhava como se pedisse socorro e eu dei de ombros.
— Vamos então – respondi.
Lucy e Iam foram para um lado da praça e eu e Sam fomos para o outro.
— Mas então Megan você vai querer algodão doce de qual cor quando chegarmos lá? – Sam me perguntou rindo de mim, mas eu não dei atenção.
— Que cores vão ter? – Perguntei sorrindo só de pensar nos algodões.
— A gosto do freguês. – Ele disse rindo.
— Preto! – Respondi.
— Preto? Você está falando sério? – Ele me olhava incrédulo.
— É a minha cor favorita. – Falei como se fosse obvio.
— Você é uma menina estranha...
Passamos por um grupo de garotas do St Marcele que fizeram aquelas cenas idiotas de filme adolescente. Suspiraram para ele e fizeram cara feia pra mim...
Nem ligo!
— Eu não sou estranha... Você que está acostumado com coisas comuns. – Respondi calma.
— Pode ser... – Ele sorriu para mim.
A festa estava grandiosa tinha malabaristas, homens que cospem fogo, engolidores de espada, varias barracas com jogos tinha até ciganas ali e uma delas me parou.
— A moça quer que eu leia a sua mão? – Ela era incrível... Não porque ela era boa, mas porque era muito bonita, só por isso eu a deixei ler minha mão, porque eu não acredito nessas coisas!
— Fica a vontade. – Respondi sorrindo
— Sério mesmo Megan? – Perguntou Sam incrédulo
— O que tem de mais? - Falei estendendo a mão para ela. Enquanto a observava.
Ela tinha os cabelos muito vermelhos com os olhos incrivelmente verde esmeralda. A roupa dela só ressaltava a cor dos olhos dela. Ela olhou atentamente por um momento e as minhas mãos, então sorriu e em seguida fez cara de medo.
— Menina muitas coisas irão te acontecer hoje, você vai achar em alguém que conhece um parceiro para te ajudar em muitas coisas... Mas ao mesmo tempo você receberá noticias ruins e coisas horríveis irão acontecer a sua volta! Cuidado e descubra naqueles que estão por perto à força necessária para superar suas batalhas.
Eu e Sam ficamos olhando para ela com as expressões de hã?
— Quanto vai ser moça? – Perguntei despertando do meu breve transe.
— Nada querida... Você já tem muito com que se preocupar... Para você isso vai ser de graça!
— Obrigada. – sorri para ela. — Vamos Sam?
— Vamos... Por favor. – Ele disse já me puxando para longe.
Saímos de lá indo em direção ao meu algodão doce, mas a cara de Sam estava meio preocupada.
— Sam você está com essa cara pelo que a cigana disse? – Perguntei a ele.
— Mas ou menos... – Ele respondeu dando um meio sorriso e abaixando a cabeça.
— Mas isso não sério... São só coisas bobas... – Eu disse para ele sorrindo.
— Não tenho certeza disso Megan. – Ele esta
— Sam... Só Meg já está bom! – Falei sem olhar diretamente para ele.
— Tudo bem Meg! – Ele abriu um sorriso cheio de dentes perfeitos.
— Obrigado. Assim fica bem melhor. – Comentei.
Chegamos a barraca do algodão e Sam pediu dois algodões pretos.
— Por que você pediu um preto também Sam? – Perguntei estranhando.
— Não vou deixar você ser a única estranha por aqui... Assim você rouba minha fama!
— Como assim? – Perguntei rindo.
— Eu era o roqueiro estranho até você chegar... – Ele falou olhando pro céu.
— Mas eu cheguei aqui ontem... – Rebati
— Mas já fez sucesso o suficiente lá no McCoy! – Ele me olhou pelo canto dos olhos.
Achei estranho isso, mas tudo bem. Olhei pro chão meio envergonhada e achei uma envelope preto largado com letras bem feitas em uma caneta vermelha brilhante. Abaixei e peguei.
Estava sem remetente e só estava escrito "Black Letter".
— O que isso Meg? – Ele se aproximou de mim.
— Acabei de achar – Virei à carta entre os dedos.
— Você vai abrir? – Ele me perguntou.
 — Vou quem sabe não é algo bom... Comecei a ler em voz alta:



Caro leitor...

Se você achau está carta vai saber antes de todos que algo não muito bom está para acontecer...
Hoje nesta festa tão bonita NÓS vamos fazer um ataque.
Bombas serão lançadas dizimando todos aqui presentes...
Se você for corajoso verá que o anexo desta página ensina a desarmar as bombas.
Não tenha de que aluem irá lhe ajudar... Todos dirão que você está louco.
Se quiser avisar sinta-se à-vontade mais escolha você não vai ter... Terá seus últimos minutos sabendo que vai morrer e nada vai poder fazer.
Então exatamente ás 10:30 desta noite o ataque se iniciará.
Salve-se se puder, tente salvar quem você ama... Faça o possível.

Boa Sorte!

Olhei para Sam.
— O que vamos fazer? – Perguntei totalmente assustada.
— Meg isso deve ser uma brincadeira. – Sam mordia o lábio inferior.
— Sam não acho que seja! - Eu estava totalmente apreensiva. Algo me diz que essa carta é verdadeira. O que faz um aperto surgir no meu peito.
— Que horas são? – Sam me perguntou.
— São oito já. – Respondi sentindo um nó se formar na minha garganta.
— Bom se é assim nós estamos correndo contra o tempo. Temos que encontrar o Iam e a Lucy o quanto antes. – Ele falou me olhando sério, mas tentando me passar calma.
— Obrigado Sam. – Respondi realmente agradecida pelo apoio que ele estava me dando.
— Vamos! – Ele segurou minha mãe e saímos correndo Não temos muito tempo sobrando.
Agora começou a corrida contra o relógio.



N/a: Agora o bicho pega hahahah.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Black Letter =3=


Virei para ver quem tinha falado e me deparei com um garoto de mais ou menos 1,86 de altura com cabelos pretos repicados e bagunçados, olhos castanhos feições bem bonitas com um nariz perfeito e fechando com lindos dentes brancos e alinhados...
Morri de inveja...
E eu aqui de aparelho.
— É eu acho que você alcança as latas sim – Luci comentou com voz frustrada.
— Pois é. – Para a minha surpresa minha voz saiu igual.
Okay... Somos "anões fêmeas" (como diz o Lucas). Ele sorriu para nós e pegou as latas que causaram todo aquele transtorno e colocou no carrinho.
— Sem querer me intrometer de mais... Vocês vão conseguir levar os carrinhos? – Ele perguntou com um ar preocupado.
Olhamos para os carrinhos cheios e ficamos mais frustradas...
— Bom... É... Pra dizer a verdade... É...Acho que......Nós vamos....... Não. - Tentei usar um argumento de "sim claro que nós conseguimos, somos mais fortes do que aparentamos", mas é a mais absurda mentira.
— Foi o que pensei... – Ele pegou dois carrinhos juntou as laterais e começou a empurrar e nós ficamos cada uma com um. — A propósito meu nome é Sam.
— Obrigado Sam... Eu sou a Luci e a com cara de louca ali é a Megan – Disse Luci
E eu apenas sorri pra ele, e fiz cara de "te pego na saída" pra Luci. Quando chegamos ao caixa a Madre que conversava com um senhor, viu a quantidade de coisas nos carrinhos e se surpreendeu.
— As outras garotas só mandaram vocês duas fazerem as compras? – Ela perguntou completamente incrédula.
— Sim Madre. – Respondi calma e Luci concordou com a cabeça.
— Que coisa feia... Vou ter uma conversinha com elas. Obrigado Sam por ajudar as meninas. – Ela disse sorrindo para ele enquanto Luci e eu trocamos olhares discretos de “Hã?”.
Passamos as compras no caixa nem quis olhar o valor da compra e o senhor que logo descobri que era diretor do Instituto McCoy pediu ao Sam que por acaso era um aluno de lá nos ajudar a colocar as compras na 4x4 da Madre... É a Madre tem uma 4x4 e eu aqui pegando ônibus.
Fomos carregando o carro enquanto Sam nos enchia de perguntas...
— Vocês são novas aqui? – Ele realmente parecia interessado e deixei Luci com o trabalho de responder por mim, ao menos ela seria simpática, eu iria dar uma resposta mal criada nessa pergunta.
— Sim nós somos... – Luci sorria enquanto respondia e eu caminhava ao lado dela com as mão nos bolsos.
— Estão gostando? – Sam olhava pra nós enquanto andávamos.
— Sim... Tirando essa parte chata com as meninas da escola sim... - Luci respondeu pensativa e eu concordei com a cabeça.
— O Marcele é legal? – Ele realmente estava tentando manter um dialogo simpático.
— É sim... É um lugar bem bonito... – Luci riu um pouco.
— Ela não fala? – Ele apontou pra mim.
— Fala sim. É que ela ta em standby*. – Luci riu e estalou os dedos na frente do meu rosto. —Meg? Ta viva ainda? – Ela me perguntou rindo.
— Eu? – Respondi meio assustada, pois não estava prestando atenção na conversa deles.
— Vish ta lesa... – Luci disse rindo.
— Luci, Luci você dorme no mesmo quarto que eu... Cuidado – Respondi rindo — Mas é sério o que foi? Eu estava ouvindo musica... – Puxei o cabelo para trás da orelha e mostrei o fone — Qual é o assunto?
— Sobre você não falar... – Me atualizou Luci.
— Atá... Eu falo sim, mas me distraio com os fones... – Respondi meio constrangida ao me dar conta que o assunto era a minha pessoa.
— Agora eu entendo o porque dos cabelos comprido.... Escondem os fones. – Sam deu risada.
— Faz tudo parte de um plano maior. – Respondi.
— Fica bonito em você... – Ele disse olhando pro céu.
— Os fones? Também acho... – Respondi brincando.
— O cabelo comprido Meg... Não se faça... – Luci riu.
Eu senti que ela queria gargalhar, mas estava se segurando para me zoar depois. Eu fiquei com vergonha e automaticamente deixei meu cabelo cair sobre o rosto. Isso é como um mecanismo de defesa pra mim. Quando olhei pra cima novamente Sam sorria olhando pra mim. Sorri e executei meu movimento de defesa novamente. É automático não dá pra segurar.
Luci já estava vermelha de segurar o riso e pra minha salvação a Madre apareceu.
— Vamos meninas – Ela dizia sorridente.
— Vamos. – Respondi um pouco rápido de mais.
— Obrigado Sam querido. – A madre agradeceu novamente ao Sam.
— Foi nada Madre – Sam beijou a mão dela e o diretor Ronaldo chegou ficando ao lado dele. — Tchau meninas. Nós vemos mais tarde no evento.
— Tchau Sam obrigado pela ajuda – Respondemos em coro e ele riu. — Prazer conhecê-lo senhor Ronaldo. – Completamos em coro ainda.
Nos olhamos com uma cara estranha... Íamos rir a qualquer momento.
— Tchau meninas. – Ele sorriu —Madre – e completou um gesto de cabeça.
Todos acenamos e então fomos embora


No St. Marcele a Madre puniu as meninas e nos deixou de folga pelo resto do dia então fomos para cidade com a permissão da Madre.
— Nossa Meg o que foi aquilo com o Sam? – Luci me perguntou rindo.
— Não começa Lu! – Eu disse começando a mexer no cabelo, ficando sem graça.
— Mas Meg? – Luci insistia no assunto.
— Menos Meg... Agora vamos andando... – Cortei aquele assunto.
Chegamos à praça e sentamos no balanço e começamos a rir do nada...
— As mocinhas não acham que são grandes de mais pro balanço? – Uma voz conhecida chegou aos nossos ouvidos.
Olhamos para o lado e vimos Sam que estava sentado em um banco com um garoto loiro dos olhos verdes e cabelos cacheados. Lindo! Parecia um anjo, tinha a mesma altura de Sam só que não tão forte. Mas os dois faziam uma bela dupla de modelos.
— Não somos tão grandes assim – Comentou Luci ficando vermelha na hora pelo contato visual com o loiro... 
V for Vendetta!*
— É verdade respondeu Sam...
O Loiro sorriu simpático para nós. Pois é acho que a tarde vai ser legal...



N/a: * Standby: é o termo usado para designar o consumo de energia elétrica em modo de espera de vários aparelhos eletrônicos como geladeiras, maquinas de lavar, televisores, rádios, DVDs, consoles de videogames, fornos de micro-ondas, computadores, celulares etc.
* V for Vendetta: V de Vingança é uma série de romances gráficos escrita por Alan Moore e em grande parte desenhada por David Lloyd. A história se passa em um distópico futuro de 1997 no Reino Unido, em que um misteriosoanarquista tenta destruir o Estado, através de ações diretas.

domingo, 18 de março de 2012

Black Letter =2=


No dia seguinte a madre nos acordou cedo para conhecermos as meninas da escola e começarmos os preparativos para aquele evento que pelo visto seria de grande porte.
Fomos separadas em grupos eu estava em um grupo de mais ou menos umas 15 garotas, mas pediram para mim e Luci fazermos compras na mercearia ali perto para poder fazer os doces para festa.
Sim... Eu e Luci fomos designadas para fazer doces... Eles não sabem o perigo que correm de não ter nada na hora da festa afinal somos maníacas por doces e um dia vamos morrer de diabetes ou overdose de açúcar.
Eu e Luci caminhávamos pela praça que tinha ali perto junto com a madre, pois não sabíamos o caminho já que éramos novatas naquele lugar. Ao chegarmos à mercearia ela nos pediu que fôssemos na frente para que ela pudesse terminar os assuntos que tinha pra tratar com o diretor do Instituto McCoy. Enquanto ela se afastava comecei a ler a lista de compras e me distrai, mas ouvia a voz de Luci ao longe falando muito rápido e sem respirar direito.
— Meg... Meg... MEGAN VOCÊ ESTÁ ME OUVINDO MULHER? – Luci me olhava indignada, pois eu não estava dando atenção á ela.
— Oi Luci? – despertei do transe que a leitura tinha me colocado — Desculpa Lu não estava te ouvindo.
— Eu percebi. – Ela me respondeu com as mãos apoiadas na cintura me encarando com desaprovação.
— Não faz essa cara... Já pedi desculpa... O que aconteceu? – Perguntei para tentar acalma-la
— Tava falando de uns garotos que estavam olhando pra cá... Tava tentando ser discreta, mas tive que chamar sua atenção sabe... – Ela me olhava como se eu tivesse estragado seu plano de dominação mundial.
— Desculpa... – Pedi me sentindo sem graça.
—Não precisa pedir desculpa Megan. – Ela me disse rindo
— Tudo bem... Mas cadê o motivo de todo esse alvoroço? – Perguntei.
Luci olhou em volta.
— Vish eles sumiram.
Olhei para ela com cara de "não acredito que você me desconcentrou por nada amada Luci" e ela riu pra mim...
— Okay Luci vamos às compras... – Disse rindo — Temos muito que fazer ainda!
Peguei ela pela mão e comecei a caminhar em busca dos corredores de doces. Achamos rápido graças ao meu "faro" pra doces!
— Nossa Meg você nunca erra onde estão os doces. – Ela me olhava rindo.
— Ta ai uma coisa que eu nunca vou errar... – Disse calma — Doces nunca vão me escapar desapercebidos.
Começamos a pegar as coisas da lista eram quantidades sempre enormes, pois era uma festa para muita gente e não sei se vamos dar conta de tudo sozinhas... Acho que já entendi o porquê as meninas nos mandaram fazer as compras... Seria o trabalho pesado que elas não queriam. Mas fomos pegando coisa por coisa sem problema nenhum estamos acostumadas com essas coisas.
Sempre fomos excluídas e preferimos assim.
Era estranho pra quem nos via. Uma ruiva baixinha, delicada e magrinha e uma morena grande (perto de Luci sou grande) com um corte de cabelo doido. A otome e a roqueira. Meio estranho pra quem vê. Mas a gente se ama.
Fomos em direção das latas de leite condensado.
— São quantas latas de leite condensado? – Luci me perguntou curiosa.
— Muitas. – Eu dei risada. — Umas 60... Vamos ter que pegar mais um carrinho ou mais...
— Tudo bem... Vou pegar o outro carrinho. – ela foi e em um estante estava do meu lado novamente.
— Como você foi rápida – Disse surpresa com a velocidade dela.
— Sou ninja. E por um acaso no caminho vi o grupo de garotos de novo Meg.
— São quantos? – Perguntei curiosa.
— Quatro ao todo. – Ela respondeu num tom malicioso
— Dois pra cada Lu. – Falei piscando para ela enquanto a mesma caia na gargalhada.
Rimos um pouco alto de mais e quando percebemos tivemos que segurar o riso, mas não estava adiantando muito. Afinal co nós duas nunca adiantava segurar o riso, sempre dava o efeito contrario.
— Para de rir Meg quanto mais você rir eu vou rir... Sua risada é muito gostosa. – Luci disse massageando as bochechas doloridas.
— Ok.... Vou tenta . – Eu tentava me controlar olhando a prateleira — Temos um problema. – Disse olhando para cima.
— Qual? – Ela me olhou confusa.
— Não alcanço as duas ultimas latas... As que faltam pra completar 60.
— Nossa pegamos todo leite condensado do mercado? – Ela ficou surpresa.
— Sim! Vamos ficar gordas... Eu que já sou gorda então vou explodir – Disse deprimida.
— Você não é gorda... É grande. – Ela me repreendeu — Nem barriga você tem!
— Ok se você está falando! – Sorri pra ela.
— Meg como a gente vai pegar as latas? Você não alcança e é maior que eu! – Ela disse olhando para as latas junto comigo.
— É uma boa pergunta Lu... - Fiquei na ponta dos pés, mas nem os anos de balé me ajudaram. — É... Nem isso ajudou... – Fiz beicinho.
— Posso ajudar? – Uma voz masculina perguntou — Acho que eu alcanço suas latas.

quarta-feira, 14 de março de 2012

In The Lake


Eu estava em uma viagem com meu pai... Iríamos entrevistar uma família que mora em frente a um lago mal assombrado.
Não acreditamos, mas ele é jornalista e eu sou sua assistente júnior por um mês... Então temos que cobrir as matérias que o jornal exige.
Quando chegamos ao a casa da família Grim notamos que era tudo muito sombrio... Talvez fosse uma jogada para manter as aparências.
Batemos na porta e fomos recebidos por duas garotas mais ou menos da minha idade entre 17 e 15 anos.
— Vocês são os Sanders?
Meu pai respondeu.
— Sim... Muito prazer, eu sou o Johnny essa é a Liz Sanders - Ele apontou para mim e fiz um aceno com a cabeça — e Seus pais? – ele perguntou
— Eles foram ao mercado senhor... Mas disseram que vocês podiam entrar se acaso chegassem antes deles.
— Tudo bem então... – Meu pai disse olhando para a garota.
— Podem entrar! – Ela disse simpática
— Obrigado. – Meu pai respondeu formal.
Eu e meu pai entramos na casa, e elas nos conduziram a sala de estar e indicaram as poltronas para que nós sentássemos.
Eu comecei a puxar assunto com as garotas enquanto meu pai olhava o lago do lado de fora da casa.
— Então meninas eu sou a Liz como meu pai já falou... Como são os nomes de vocês?
— Bom eu sou Rosie e essa é minha irmã mais nova Ciel.
— Vocês vivem aqui a quanto tempo? – Prossegui com as perguntas.
— Desde que nascemos... - Respondeu Ciel.
— E essa lenda do lago existe desde que vocês nasceram? – Inquiri.
— Sim... Felippo sempre esteve ai! – Rosie começou a contar.
— Felippo? – Fiz cara de duvida.
— Felippo Clericuzio o antigo dono da casa... Ele morreu afogado com 22 anos desde então ele está no lago.
— Como vocês sabem disso? – Não consegui esconder a descrença.
— Felippo fala com a gente. – a pequena sorriu —Mas ele fala mais com a Rosie. - Comentou Ciel.
— Quer ir ao lago com a gente? – Rosie me perguntou
— Aaahh... Tudo bem! Pai? – olhei para ele.
Ele assentiu e nós fomos em direção ao lago. Ao chegar lá vi que era um lago de um tom de azul cristalino muito bonito, fiquei olhando fascinada para o lago, eu e as meninas conversamos por um tempo ali e decidimos voltar.
Antes de virar em direção a casa achei que tinha visto um vulto ali perto... Mas são só coisas da minha cabeça pelos assuntos que a nós conversamos, chegando na casa o Senhor e a senhora Grim já tinham voltado e estavam conversando com meu pai.
Depois de um tempo na casa decidimos ir, mas antes de sairmos da casa uma forte chuva começou nos prendendo ali.
Os Grim nos convidaram a passar a noite em sua casa, e relutantes aceitamos. Meu pai dormiria no quarto de hóspedes e eu ficaria com as meninas.
Enquanto tentava dormir passei a ouvir sons muito estranhos vindos de fora... Sem ser o som do vento e dos galhos das arvores quebrando, comecei a me assustar com os barulhos a minha volta e fiquei olhando fixamente pela janela. As vezes vi vultos passando por ela ou simplesmente parados em frente a ela.
Mas isso era devido ao fato de estar assustada.
Assim espero!
— Liz... Você quer um fone de ouvido para evitar ouvir os sons da chuva? - Me perguntou Ciel.
— eu asseito Ciel.
Quando ia pegar o fone de ouvido das mãos de Ciel ouvimos um barulho de coisas quebrando e estilhaçando.
Trocamos olhares assustados quando uma janela do quarto estourou e algo entrou por ela.
— Rosie, Ciel. Eu avisei que esse dia chegaria. Foi bom falar com vocês... Mas agora todos nessa casa irão morrer. - Uma voz masculina muito calma comunicou isso para elas.
Olhei para elas e vi suas faces entristecidas e elas olhavam para um ponto fixo. Fiquei confusa por um instante, mas logo compreendi o que havia acontecido ali e meu queixo caiu.
— Quem é você garota? – A voz se dirigiu a mim.
— Meu... Nome é Liz! – estava completamente aturdida.
Assim que disse isso uma forma masculina se formou a minha frente. Ele era moreno claro, porém translucido, tinha olhos verdes e cabelos castanhos claros na altura dos ombros.
— Eu sou Felippo, se quiser permanecer viva pegue as duas e saia daqui... Agora!
Por um momento fiquei parada observando suas feições bonitas, mas quando olhei em seus olhos vi o aviso que ali continha.
Peguei Rosie e Cile pelas mãos e sai correndo pela casa e no corredor encontrei meu pai e os pais das meninas.
— Liz a casa está desabando – meu pai gritou — Nós vamos ver se conseguimos salvar algumas coisas da família... Pegue as meninas e sai daqui o mais rápido possível, só pare de correr quando estiver em algum lugar seguro e distante daqui. Me entendeu?
— Entendi sim pai! – meus olhos se encherem de lagrimas, pois não tinha a certeza de voltar a ver meu pai novamente.
Meu pai veio até a mim e me abraçou sussurrando no meu ouvido "Eu te amo querida".
— Vai Liz... Agora! – Uma lagrima escapou enquanto eu puxava Rosie e Ciel pelas mãos
Elas relutaram um pouco, mas começaram a me seguir. Eu tinha a sensação ruim que meu pai não tinha a intenção de sair da li sem uma boa matéria.
Fiquei com medo, mas eu corri até perder o fôlego. Até minhas pernas ficaram moles. Meu pulmão parecia que iria estourar, senti gosto de sangue na garganta devido ao esforço. Olhando para ponte que saia da propriedade vi Felippo nos observando com um olhar indecifrável, mas ele parecia... Feliz.
Depois de um bom tempo correndo encontramos um hospital aberto.
Lá tinha mais quatro jovens na mesma situação que a gente... Cansados de pijama cabelos desgrenhados. Eles conversaram um pouco com a gente e depois fui falar com Rosie.
— Você sabe o que aconteceu ali? – perguntei à ela
— Sei, mas não sabia que realmente iria acontecer.
— O quê?
— A libertação de Felippo. – ela me olhava seria.
— Você pode me explicar?
— Acho que sim. – ela parou para tomar fôlego — Quando ele morreu no lago, foi por tentar salvar uma garota que acredita-se que era uma bruxa que ele amava. Quando ele morreu para salva-la ela lançou um feitiço que chegaria o tempo que eles se reencontrariam mesmo na morte e tudo que vivia ali perto morreria para ele ser liberto e os dois ficarem juntos.
— Que estranho.
— Pela descrição ela se parece com você Liz.
— Hum? – fiquei confusa — Okay, precisamos descansar.
Fiquei um bom tempo pensando nisso, mas esqueci essa história assim que o meu pai entrou de maca no hospital e foi para sala de cirurgia. Eu estava inconsolável, chorei o tempo todo de espera, mas 4 horas depois meu pai foi para um quarto. O medico me disse que ele ficaria bem, mas não voltaria a andar.
Mas a única coisa que eu sei é que eu quero voltar pra casa e esquecer que um dia eu e meu pai passamos por isso, vai ser difícil, pois nosso encontro com Felippo deixou sequelas irreparáveis.
Agora é só levar a vida adiante e deixar esse passado para trás...
Porque o que passou, passou e não pode ser revogado!